5 anos não são 5 meses. Muita coisa mudou desde o ambicioso, sobre-produzido "MGMT", último legado deixado pelo grupo Quintessencial de Nova Iorque, MGMT.
Enquanto vimos a neo-psichadelia - um dos sub universos mais respeitados e antigos também da cultura indie - desvanecer-se em sintetizadores e uma estética retro/chill wave, muito por culpa de "Currents" e a transição que Parker marca no género, "Little Dark Age" quase sabe a detritos dessa (ou não) evolução da marca: O título indica uma era obscura mas o disco começa com o radioso "She Works Out Too Much", enquanto vemos sub-pedals obviamente sintéticos sobre um sintetizador retro cintilante e quase sempre repleto de arranjos lushy. Isto seria bom se o disco não fosse (quase) sempre transitando de momentos de pura felicidade e nostalgia a melancolia e auto alienação... Desde luar cheio e single que dá nome ao disco "Little Dark Age", até ao ondulento, refrão antémico de "Me And Michael"; Do isolado noturno "James" até ao funky, falsetto recheado "One Thing Left To Try". Parecem ser casualidades mas é impossível LDA não dar uma sensação de improgresso... As canções são mais acessíveis e diretas, sem dar muito por onde introspecionar ou abismar. Os arranjos sintetizados parecem quase todos tirados de um tipíco blockbuster de anos 80 ao invés de um filme de terror indie. Tirando o progressivo e analógico "Days That Got Away" quase todas as canções têm uma aura high fi escritas à volta, o que remonta um bocado a Oracular Spectacular, praticamente o último esforço pop da banda.
As guitarras aqui também são quase sempre ofuscadas pelo sintetizador, algo que não acontecia em "Congratulations" por exemplo, onde eram utilizadas para recriar um som surfy/post-punkish que marcou de forma intensa a discografia do grupo.
"Little Dark Age" não é o disco que esperávamos. Afastando-se da viralidade de Oracular Spectacular o conjunto nova-iorquino caminhava para a grandeza underground, querendo continuamente expandir o seu distintivo som sem perder uma essência ou uma identidade. Se 5 anos bastaram para voltar a escrever canções orientadas para um público boémio, dj's sedentos de samples e pistas de dança left field, LDA parece quase uma repetição da estreia de 2008, ocultando, ou pior, enterrando um legado de música experimental/avant garde que ia construindo tão cautelosamente.
